Diferentes solos para a missã

Patrícia Alexandre da Silva

Um dos solos férteis para a missão é o espaço escolar. Estar presente como testemunha de um Cristo vivo, solidário e amoroso, para a construção do projeto de Deus, a partir da proximidade com o outro.

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Me chamo Patrícia Alexandre, 45 anos, participo do laicato xaveriano no Brasil, onde ainda estamos dando pequenos, mas importantes passos frente as necessidades da missão no Brasil e além-fronteiras. Moro na Cidade Tiradentes no extremo leste da periferia da Cidade de São Paulo, onde também leciono como professora de filosofia para jovens e adolescentes.

Minha experiência missionária, ocorre na terra em que nasci, sem sair do seio do meu lar e no espaço de trabalho. Poderíamos levantar vários questionamentos conceituais se esta prática é missão ou não. Todavia, proponho ressaltar a importância de se disponibilizar para ser uma igreja em saída, em missão para com aqueles que estão ao nosso lado, e por vezes esquecidos.

Quero de relatar minha experiência missionária no espaço escolar. Todos os anos recebemos jovens e adolescentes em situações de risco, sem perspectiva de futuro, sem sonhos de construir para si algo bom, por conta de estarem tão emaranhados e presos em seus problemas, familiares, econômicos, sociais, drogas, violência, enfim todos os desafios que um jovem do século XXI morador da periferia enfrenta todos os dias.

A escola que deveria ser um local de acolhida para este jovem, é por vezes um espaço de opressão, pois não garante as condições necessárias para o desenvolvimento integral deste jovem, devido a vários fatores dentre os quais o abandono do poder público, profissionais adoecidos ou desanimados diante do grande desafio de ser professor no Brasil.

Diante deste quadro desafiador, de uma situação real e urgente, o espaço escolar é um solo fértil para a missão. Jovens e adolescentes estão lá, esperam e precisam de algo, e qual a resposta que a igreja pode dar? Acredito que missão também se faz na rotina da vida, com o olhar atento para as necessidades do nosso irmão.

Assim minha resposta é levar um sorriso todos os dias, levar a minha compreensão, ajudar e animar para a caminhada do cotidiano, propiciar discussões que ressalte a importância da dignidade humana, promover o diálogo entre filosofia e religião, orientar para valores que ajudem na construção de um mundo melhor, justo e solidário. Utilizar de criatividade e audácia para anunciar Jesus Cristo vivo e ressuscitado como testemunha, com o silêncio de meus lábios, porém nunca com o silêncio de minhas ações.

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